Com tantos designers novos saindo das escolas de design fica cada vez mais difícil os novos profissionais entrarem no mercado de trabalho, mas isso não significa que exista espaço para quem tem talento e persistência.
Seja como free-lancer, como empregado ou como empresário eles acaba se profissionalizando. Deram seus depoimentos: André Heib, que trabalha na Amcham (Câmara de Comércio Americano); André Ricci e Bárbara Emanuelle, sócios na Rizoma Design, (participaram do debate por e-mail); Marina Chaccur, que atua como free-lancer e Rodrigo Longo, contratado pela Editora Paulus.
Confira>>>
André Heib – Eu trabalho com design há mais de sete anos, desde quando comecei a fazer um curso técnico sobre design e comunicação. O curso tinha muito fundamento, depois fui fazer design digital na Anhembi Morumbi e lá os trabalhos eram mais práticos.
Comecei a ter contato com as tecnologias e a desenvolver trabalhos interdisciplinares em grupo envolvendo pesquisas e, paralelamente trabalhava com design.Desde quando iniciei o curso técnico já procurei alguma coisa para fazer para ir aprendendo.
Comecei a ter contato com as tecnologias e a desenvolver trabalhos interdisciplinares em grupo envolvendo pesquisas e, paralelamente trabalhava com design.Desde quando iniciei o curso técnico já procurei alguma coisa para fazer para ir aprendendo.
Comecei criando convites para baladas, uma amiga me convidou para fazer o trabalho. Sempre gostei de trabalhar com criação; a parte mais difícil é lidar com os clientes porque você tem de fazer valer seu trabalho. Depois fui trabalhar em uma agência de publicidade e hoje estou na Amcham (Câmara de Comércio Americano).
Todo mundo que começa a estudar design já se imagina dentro de uma agência, aquele mundo deslumbrante com muito trabalho legal e já quer começar fazendo aquilo, mas quando chega você leva um choque porque não é nada aquilo que você vai fazer. Primeiro vai ter de passar por vários processos até chegar àquele patamar.
André Ricci – As etapas de desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos baseadas pesquisa conceitual aprofundada sobre o assunto; levantamento iconográfico; projeto de criação e finalmente a produção, são uma utopia no mundo real do design brasileiro.
Quando saímos da faculdade descobrimos que no mercado profissional aquele tempo de que dispúnhamos na faculdade para elaboração de um trabalho não existe e talvez a adaptação ao ritmo intenso do mercado seja um dos grandes desafios enfrentados na transição do mundo acadêmico para o profissional.
Quando saímos da faculdade descobrimos que no mercado profissional aquele tempo de que dispúnhamos na faculdade para elaboração de um trabalho não existe e talvez a adaptação ao ritmo intenso do mercado seja um dos grandes desafios enfrentados na transição do mundo acadêmico para o profissional.
Percebemos também que o mercado é muito amplo, e para cada perfil de cliente e produto um código particular, uma linguagem específica. Não perceber isso é esquecer que o design é acima de tudo comunicação, porém, isso de certa forma entra em conflito com o desenvolvimento de uma linguagem própria tão buscada por todos os profissionais de design e arte.
Bárbara – Em todo o percurso acadêmico, entendemos a grande necessidade que o designer tem em desenvolver um bom trabalho através de uma boa fundamentação teórica. O desafio maior para o designer que chega ao mercado trabalho, principalmente, aqueles acostumados a projetos grandes, mas com longos prazos para serem desenvolvidos, é o fato de ter de encarar o desafio de resolver grandes projetos com pouco tempo para fundamentá-lo adequadamente.
A criatividade e a função do trabalho e da peça desenvolvida são, muitas vezes, sacrificadas pela produção acelerada das agências que cada vez mais oferece muito menos daquilo que deveria ser a prioridade.
Marina – Eu entrei na faculdade para fazer design de produto e lá descobri o design gráfico, que acabou sendo a minha opção. No meio do curso já começaram a surgir alguns trabalhos e eu tive que aprender a trabalhar como designer no susto. Começei a trabalhar como free-lancer desde 2000 e nunca mais parei. Acabei nem procurando um emprego fixo porque me envolvi com várias atividades extra-curriculares, e os clientes me procuravam por indicação, mesmo assim passei alguns meses entre um escritório de design e uma editora/ type foundry.
Eu não tinha grandes expectativas quanto ao mercado de design, não imaginava nenhum glamour porque aos poucos você vai construindo sua carreira e, não adianta em dois dias, querer estar no mesmo patamar de quem tem trinta ou quarenta anos de experiência.
Rodrigo – Quando entrei no curso de design não tinha muita noção. Imaginava fazer publicidade, mas depois li sobre design gráfico e resolvi fugir da publicidade. Fui fazer o curso de design sem saber bem o que era e no fim acabei me apaixonando. Na UniFMU alguns colegas e eu criamos um grupo de trabalho para prestar serviço.
Apareceram uns três ou quatro trabalhos, mas o grupo não deu certo, arranjei outro emprego que não tinha nada a ver com design, mas tinha alguma relação com artes gráficas. Havia me inscrito no CIEE (Centro de Integração Empresa Escola) para conseguir um estágio e já nem esperava mais quando eles me igaram convidando para trabalhar na Editora Paulus.
Fui com a cara e a coragem, falei com eles: “Olha estou aprendendo”. Eles me deram muito apoio. Tinha feito cursos de PageMaker, Photoshop e CorelDraw, mas quando vi aquele tanto de catálogos e capas de livros pensei “Tô ferrado! Mas eu tinha suporte na FMU e também minha diretora de arte na Paulus me deu total apoio. Eu já tinha noção do que eu queria, mas ainda não sabia como era a experiência de trabalhar com design gráfico. Quando comecei a pegar campanhas promocionais sobre os livros para fazer eu ficava nervoso, comecei a aprender na marra. Errei em algumas coisas, mas fui aprendendo. No começo eu dei um prejuízo.
Era para imprimir mil unidades de um trabalho e eu mandei imprimir oito mil, mas eles foram compreensivos comigo e eu continuei trabalhando; já estou lá há quatro anos. Fiz um ano de estágio, depois que a designer saiu eu passei de estagiário a designer.
O mais legal é que nós fizemos o departamento de design crescer, hoje temos três designers, um redator, quando entrei eram só a diretora de arte, mais uma pessoa e eu como estagiário de design. Nós conseguimos mostrar à diretoria da empresa que o departamento de design dava resultado. Hoje, além de trabalhar na Paulus, continuo trabalhando como free-lancer, faço identidade visual, peguei trabalhos de uma empresa de eventos.
No começou não sabia como lidar com os clientes, levei muito calote. Minha maior dificuldade como free-lancer foi quando arranjei um cliente que pensava que eu trabalhava só para ele. Qualquer hora do dia ele me ligava querendo alterar tal coisa. Ele não sabia o que queria, conversamos, mas ele não sabia o que queria, no fim não deu certo.
De um ano para cá, na Paulus, tenho mais contato com clientes, fornecedores, converso com os autores de livros e isso me ajudou a ganhar experiência porque antes eu não tinha aquela malícia para conversar com os clientes.
Fonte: Revista Design Gráfico.


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